31 de out. de 2010

Simão Jatene, o novo governador do Estado do Pará.

No dia 27 de setembro divulgamos aqui no blog, uma entrevista exclusiva com o até então candidato ao governo do Pará, pela coligação "Juntos com o Povo", Simão Jatene.

As questões respondidas por ele, também foram enviadas aos demais candidatos que disputavam ainda o 1° turno. Foi a forma que encontramos de levar a você, nosso leitor, esclarecimentos e respostas dos mesmos, de como iriam governar nosso estado, caso eleitos.

Hoje, 31 de novembro de 2010, O economista e professor universitário, Simão Jatene, de 61 anos, foi eleito com mais de 1.743.382 votos (apurados até o momento deste post).


Nós do Blog resolvemos "republicar" a entrevista dada aqui, para que você, que não leu, leia (e pra quem leu, releia) o que foi dito e prometido por ele para os próximos 4 anos.



27/09/2010

Entrevista com Simão Jatene - Coligação Juntos com o povo.

BLOG - Qual o maior problema do Estado do Pará? E como o sr. pretende enfrentá-lo?

SIMÃO - O maior problema do Pará é fato de ser um Estado rico com uma população ainda muito pobre. A pobreza e a desigualdade social são os grandes desafios a serem enfrentados para que consigamos alcançar um desenvolvimento que seja sustentável em longo prazo. No Pará somos atualmente 7,5 milhões de pessoas e crescemos 150 mil a cada ano. Deste total, 2,5 milhões vivem com menos de R$ 4,00 por dia. Geramos na média dos últimos três anos menos de 15 mil novas vagas de trabalho remunerado, empurrando para a informalidade, ou marginalidade, mais de 100 mil jovens a cada ano.

As soluções para os graves problemas e desafios que temos hoje, aproveitando nossos recursos naturais de forma sustentável, para melhorar a vida de todos os paraenses, incorporando, inclusive, 100 mil excluídos todos os anos, só podem ser exequíveis se o governo e a sociedade fizerem um pacto, para que juntos possamos avançar.

BLOG - O desemprego é um problema brasileiro, quais as medidas que tomará para minimizá-lo?

SIMÃO - Como já respondi na pergunta anterior, estamos muito preocupados com a avanço de déficit de postos de trabalho no Estado do Pará e, para contê-lo, nosso programa de governo prevê algumas ações estratégicas. Nossa idéia é implementar o programa “Crescer de Novo”, que irá englobar várias ações. Vamos reativar a política de incentivos e criar novos mecanismos para estimular a produção e atrair novos investimentos para o Estado. Junto com isso vamos trabalhar ainda em um programa de regularização fundiária que garanta segurança jurídica para quem aí desenvolve atividades produtivas, seja de grande ou de médio e pequeno portes. Vamos lutar pela criação de zona de livre comércio de Santarém. Vamos também criar o “Selo Pará”, para incentivar o consumo de produtos paraenses. Vamos trazer de volta o Banco do Cidadão e o Banco do Produtor, ambos com ainda mais crédito. Vamos revitalizar a Emater para apoiar a agricultura familiar e Vamos também implantar a Universidade Tecnológica do Pará, a Unitec, para qualificar e formar aqui uma nova geração de técnicos. No segmento turístico, um outro grande setor de geração de emprego e renda nossa meta é ampliar os aeroportos e construir centros de convenções em Santarém e Marabá.


BLOG - A segurança pública é uma grande preocupação da população paraense, quais são seus projetos nesta área?

SIMÃO - Nesse setor vamos agir em duas vertentes. Vamos atuar tanto na ação repressiva, com o braço forte do Estado, quanto na ação preventiva, com projetos que desenvolvam uma cultura de paz, principalmente entre os jovens. Vamos criar o Patrulhamento Orientado Preventivo (POP), com policiais treinados, equipados e mais próximos da população. Vamos criar os Territórios de Ação Policial, com unidades especiais em todas as regiões. Vamos construir 50 novas delegacias e reformar mais de cem desses espaços. Outro dos nossos compromissos é construir 5 novos quartéis e promover a reforma de 20 quartéis. Também vamos cariar novos núcleos da Defensoria Pública e o Centro de Inteligência da Polícia (CIP) para registro único das ocorrências. Vamos trazer de volta o trabalho de ressocialização desenvolvido pela Fábrica Esperança e recuperar e ampliar as ações do ProPaz, de forma a trabalhar para promover uma cultura de paz, em parceria com a sociedade civil e, em especial, com as igrejas.

BLOG - Vira e meche a divisão do estado do Pará volta a ser tema, qual sua opinião sobre esse assunto?

SIMÃO - Como homem democrático que sou não poderia jamais me interpor ao legítimo direito da sociedade de ser ouvida, por meio de um plebiscito, para decidir se o Estado deve ou não ser dividido. Então acho o plebiscito válido, mas com duas condições. A primeira delas é que o plebiscito deve ser descolado do processo eleitoral para que não seja contaminado por interesses outros que não os legítimos da sociedade. A segunda das condições é que o plebiscito deve ser precedido por uma ampla campanha de esclarecimento para que a população saiba exatamente sobre o que está votando e quais os resultados e efeitos dessa votação.

BLOG - O que você destacaria como mérito pessoal, que lhe diferencia dos outros candidatos?

SIMÃO - Em um tempo onde os políticos andam tão desacreditados pelo conjunto da sociedade, diante dos escândalos que volta e meia aparecem na grande imprensa eu diria, sem cabotinismo, mas simplesmente com orgulho da minha biografia é que eu sou não apenas um candidato de ficha limpa, mas um candidato de vida limpa. Eu fui minha vida toda um servidor público e me orgulho disso. Todo o patrimônio que construi, construi com o meu trabalho e esforço pessoal. Prova disso é que deixei o governo e continuo morando no mesmo apartamento onde resido há mais de dez anos. Me orgulho ainda de, ao ter deixado o governo, ter voltado a dar aulas nas Universidade Federal do Pará, onde sou professor e de onde estou me aposentando este ano, apesar de achar que essa deveria ser a regra e não a exceção para a classe política.


BLOG - A saúde sempre precisa de investimentos, quais são seus projetos neste setor?

SIMÃO - No nosso primeiro governo, vale a pena ressaltar, investimos muito na construção de uma rede de hospitais no interior do Estado do Pará porque essa era uma necessidade que detectamos durante a campanha naquela época. E, pelo que pudemos observar nas nossas andanças ao longo deste ano, o investimento foi mais do que acertado. Quando viajamos para as regiões onde os hospitais regionais estão implantados observamos os benefícios que a população local tem obtido. Os hospitais regionais têm salvado muitas vidas em função da redução do tempo de deslocamento dos pacientes até os locais de atendimento especializado. No nosso novo governo, vamos terminar de expandir a rede, com a construção de mais dois hospitais regionais, e também investir mais em atenção básica de saúde e em ações de prevenção. Por meio do programa “Juntos Pela Saúde”, vamos trazer de volta a ampliar os programas Farmácia Básica e Médico no Município, além de construir novas unidades de pronto atendimento.

BLOG - A educação pode melhorar? De que forma pretende fazer isso?

SIMÃO - Na área de Educação vamos implantar o programa “Vencer pela Educação”. Esse é um programa que prevê, entre outras coisas, o estabelecimento de critérios de mérito para premiar as melhores práticas nas escolas, por meio do “Escola Legal”, um projeto que vai premiar alunos e professores de forma a melhorar a qualidade da escola e do ensino. Também vamos retomar o projeto “Galera Aprendiz” e vamos criar a Unitec, a Universidade Tecnológica do Pará. Outra das metas do nosso programa de governo é a Expansão da Rede de Ensino Profissional , coma construção de 12 novas escolas de Trabalho e Produçã, ale, é claro de continuar ampliando a melhorando a qualidade da rede pública, com a construção e reconstrução de escolas.

BLOG - Qual será a grande obra física de seu governo caso se eleja, e porque?

SIMÃO - Difícil falar em grande obra física, mas diria que uma das mais importantes obras físicas que iremos fazer, até pela sua capacidade de integrar políticas sociais e de atrair investimentos também em outras áreas é a construção da Praça da Juventude, na área de entorno do Mangueirão. Um projeto que, faço questão de ressaltar, foi entregue pronto para o atual governo e que não foi levado adiante, infelizmente. A Praça da Juventude será um grande centro de treinamento para esportes de alto rendimento, com capacidade para 10 mil pessoas e inclusive para Shows. Ele terá ainda dez quadras cobertas, piscina olímpica e um centro das confederações, para abrigar todas as confederações de esporte amador do Pará. Com essas ações estaremos não só ajudando o esporte paraense, como trabalhando com a inclusão social de jovens e também capacitando o Estado a voltar a ser um núcleo de grandes eventos esportivos nacionais e internacionais - como Grand Prix de Atletismo, que iremos lutar para trazer de volta – com efeitos sobre o turismo e a geração de renda no Pará.

BLOG - Se pudesse realizar um sonho pessoal, qual seria ele?

SIMÃO - Meu sonho pessoal neste momento é, ao assumir o governo, ver a idéia do pacto com a sociedade florescer e dar certo. Fazer um pacto é somar idéias e ideais, talentos e competências, conhecimento e sabedoria. Nossa idéia com essa grande aliança é discutir, descobrir o que nos une, contornar o que nos separa, respeitar os limites de cada lado. E confiar no outro como ele confia na gente.Só através de uma grande aliança, de grandes acordos claros e viáveis, definidos entre os grandes interessados na resolução dos problemas, é que vamos conseguir dar resposta ao desafio que é desenvolver este estado. Precisamos maximizar as potencialidades do presente e projetar investimentos no futuro, para desenvolver sem devastar e aumentar a qualidade de vida. E eu espero contar com o apoio de toda a população para avançarmos no desenvolvimento do Pará.

BLOG - Porque a população deve lhe dar o voto?

SIMÃO - Porque o Estado do Pará precisa voltar a funcionar. Não é possível mais que a população chegue a um hospital público e não possa ser atendido porque falta gaze ou porque os equipamentos de exame estão quebrados. Não é possível mais que os órgãos públicos como os ligados ao setor de segurança e de assistência técnica não possam desempenhar suas tarefas porque falta o básico, como gasolina para abastecer os veículos. O Pará precisa voltar a crescer e nós já mostramos que temos competência para isso. Os paraenses foram enganados por uma promessa de mudança que não se concretizou, ou melhor, se concretizou ao contrário. O Pará, de fato, mudou, mas para a pior. E não sou eu quem diz isso. Quem diz isso é a própria população que, nas minhas andanças pelos quatro cantos desse estado, tem demonstrado a sua indignação com o atual governo. O Pará já teve um governo com credibilidade, já teve condições melhores de desenvolvimento, ta teve o respeito dos demais estados da Federação, já teve programas sociais eficientes. Precisamos recuperar isso.

3 comentários:

ALEX disse...

É, Bacana, o meu maior medo agora não são os muitos corações que irão fazer o novo governo mas, sim, as muitas "mãos" que o candidato eleito falava que iram atuar no seu governo caso fosse eleito...
Vamos ver agora se a mídia irá continuar com o papel implacável e necessário, de denunciar os desmandos e descasos de quem quer que seja...

Anônimo disse...

Aproveita a oportunidade e vende para ele a tua revista!

Anônimo disse...

Nos teus 4 anos de governo não estive presente no Estado, depositando com muita desconfiança, fé em sua gestão estarei observando sua trajetória com maior atenção.
Penso que recebe o Pará melhor avaliado que antigamente, no plano nacional e internacional com a siderúrgica da Vale re-implantada e suas derivações em outras cidades como Castanhal, com a fábrica de Vagões de trens, algo que jamais pensastes em realizar.
Não penses que os votos que recebestes será um cheque em branco, ou algo pior uma governabilidade à toda prova.
É e será a sua maior avaliação técnica e popular de toda sua vida. Portanto, trabalhe com lealdade à constituição e o código penal, pois seremos vigilantes e atentos aos seus passos e decisões que deverão respeitar primordialmente o Basil, o Pará e seu povo na totalidade.
Boa Sorte!